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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Cirurgia cura câncer de próstata reincidente, indica pesquisa

Um estudo publicado na edição de abril da revista "European Urology" mostrou que é possível curar o câncer de próstata mesmo após o retorno do tumor.

Maioria dos operarados fica impotente

O trabalho, feito com pacientes que já tinham sido submetidos a radioterapia após o diagnóstico inicial, indica que a cirurgia de remoção da próstata é eficaz para eliminar o tumor.

Conduzida em oito centros oncológicos na Europa, nos EUA e no Brasil (na USP), a pesquisa acompanhou 404 homens com idade média de 65 anos, que fizeram cirurgia radical da próstata após recidiva do câncer tratado com radioterapia.

Os pacientes foram acompanhados após a cirurgia. Dos 404 que participaram do estudo, 195 mostraram sinais de recidiva da doença, porém em apenas 64 deles o tumor voltou e 40 morreram.

Depois de dez anos, 312 (77%) dos pacientes não apresentaram metástase.

Segundo o urologista do HC e do Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) Daher Chade, que liderou o estudo no país, é a primeira vez que uma pesquisa comprova essa possibilidade.

Hoje, doentes que fizeram radioterapia e voltam a ter câncer são tratados com hormonioterapia, um tipo de químio que controla o crescimento do tumor, mas não o elimina, e aumenta a sobrevida em cerca de dois anos.

No país, 20% dos homens diagnosticados com a doença fazem radioterapia. A outra opção é a cirurgia.

Após a radioterapia, o câncer volta em 20% a 40% dos pacientes. Antes, quando isso acontecia, a doença era considerada incurável. Sempre houve uma suspeita de que a cirurgia poderia eliminar o tumor, mas só agora confirmamos a hipótese, afirma Chade.

O procedimento é o mesmo aplicado nos diagnosticados com câncer de próstata que optam pela operação logo no início.

"Essa é outra vantagem, os urologistas já sabem fazer."

Segundo Chade, a cirurgia tem maior chance de cura mas, também, maior chance de complicações. "Muitos homens não querem correr o risco de ficar impotentes ou com incontinência urinária, mesmo sob o risco de não serem curados com a radioterapia. Por isso, cada vez mais está se indicando a radioterapia como primeiro tratamento."




RESTRIÇÕES

O urologista Miguel Srougi, professor da USP e coautor do estudo, explica que não são todos os doentes que podem ser submetidos ao procedimento.

"Se o tumor voltar de forma muito agressiva, como no caso do ex-governador Orestes Quércia, morto no ano passado, a cirurgia não pode ser feita. Também está descartada em pacientes com PSA [antígeno prostático específico] muito alto no começo, ou quando a radioterapia produziu muita aderência na região da próstata."

Para Miguel Srougi, embora cure um número razoável de casos, o procedimento tem mais complicações do que a cirurgia feita logo após o diagnóstico.

O urologista explica que a pesquisa tem um viés. Os pacientes do estudo foram tratados em centros de excelência, por cirurgiões mais experientes que a média.


Fonte: UOL Noticias

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Novo equipamento de ressonância magnética ajuda visualizar gordura do corpo



Um estudo realizado na Grã-Bretanha está fornecendo imagens inéditas para que cientistas analisem com mais precisão os efeitos do excesso de gordura no organismo.


Graças a um aparelho especial de ressonância magnética, que permite realizar imagens do corpo inteiro de um paciente, o painel interdisciplinar que realiza a pesquisa pode visualizar com clareza o depósito de gordura em torno de órgãos vitais de pessoas acima do peso.




“Esse tipo de imagem mostra como a gordura se distribui pelo organismo, o que é fundamental para entender a relação entre a genética e os fatores ambientais na obesidade”, explicou à BBC Jimmy Bell, chefe do grupo de imagem metabólica e molecular do Imperial College, em Londres.

“Até agora a medição da quantidade de gordura no organismo era feita de maneira indireta, através de recursos como a bioimpedância ou o cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC).”

Problemas de saúde

O estudo, iniciado há dez anos e financiado pelo Medical Research Council britânico, pretende ajudar especialistas em obesidade a desenvolver uma metodologia para ajudar seus pacientes a lutar contra o problema.

“Combinando o conhecimento sobre a genética, a distribuição da gordura e o estilo de vida do paciente, o médico poderá sugerir menos mudanças de hábito e medidas mais eficazes para ele perder peso”, disse Bell.

O acúmulo de gordura em torno de órgãos como o coração, o fígado e os pulmões, por exemplo, pode levar a problemas cardíacos e respiratórios.

Mas o estudo sugere que a gordura instalada em outras partes do corpo, como abdômen, joelhos, pés, pescoço e bacia pode incentivar o surgimento de problemas como câncer, artrite, infertilidade, depressão, dificuldades de locomoção, dores de cabeça e varicose, entre outros.

Para Bell, no entanto, o desafio de se usar a ressonância magnética para acompanhar pacientes obesos está no preço do equipamento.

“É algo muito caro. Muitos hospitais públicos têm apenas um e uma fila enorme para usá-lo”, disse. “Idealmente, para fazermos o acompanhamento necessário seria preciso pelo menos uma sessão de ressonância por ano.”

“De qualquer maneira, a obesidade já é um grande consumidor dos recursos públicos de saúde na Grã-Bretanha e vai continuar sendo para várias seguradoras em todo o mundo”, concluiu.

Fonte:

http://www.bbc.co.uk

Recomendações Exame PET/CT em oncologia



Com o desenvolvimento do método de exame PET/CT com 18F-FDG , aplicações em Oncologia e disseminação em nosso meio, faz-se necessário um consenso na sua utilização particularmente entre os membros da Sociedade Brasileira de Cancerologia e a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular.Veja a proposta apresentada por representantes das duas entidade.

Lista de recomendações do Exame PET/CT com 18F-FDG em Oncologia. Consenso entre a Sociedade Brasileira de Cancerologia e a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular*

INTRODUÇÃO

A medicina atual apresenta inúmeros desafios à prática clínica aos médicos assistentes no cuidado diário de seus pacientes. A crescente evolução e avanço dos métodos de imagem no diagnóstico e no acompanhamento de doenças geram um aumento considerável no custo referente à incorporação dessas novas tecnologias no sistema de saúde. Assim, um dos maiores desafios que a sociedade vem enfrentando é solucionar a questão sobre a utilização de métodos diagnósticos mais precisos nos cuidados aos pacientes versus os custos associados à incorporação dessas novas tecnologias.

Em meados da década de 80, a tomografia por emissão de pósitrons (PET), utilizando a fluordesoxiglicose marcada com flúor-18 (18F-FDG), foi introduzida como método de imagem in vivo da atividade metabólica do corpo humano. Desde então, inúmeras publicações científicas promoveram inegável avanço na prática clínica oncológica. As células malignas, em sua grande maioria, apresentam alto metabolismo glicolítico comparado aos tecidos normais. Esta diferença no consumo de glicose favorece a detecção de doença pela 18F-FDG PET. Assim, notou-se uma mudança no paradigma de avaliação dos tumores, historicamente avaliados através dos métodos de imagem morfológicos como a tomografia computadorizada (CT), para uma análise associada baseada no metabolismo. Uma vez que os processos metabólico-bioquímicos precedem as alterações morfoestruturais, é inexorável verificar as vantagens na avaliação, tanto no diagnóstico quanto no acompanhamento, de pacientes oncológicos através da PET. A 18F-FDG PET auxilia no diagnóstico de neoplasias (diferenciando tumores benignos de malignos), no estadiamento, na avaliação da resposta terapêutica precoce e tardia, na avaliação de recidiva tumoral e no reestadiamento de pacientes oncológicos.

Em 2001, mais um avanço tecnológico foi alcançado com a incorporação da CT à PET, formando os equipamentos híbridos PET/CT. Estes equipamentos permitem a aquisição sequencial imediata de imagens de CT e PET, tornando o método ainda mais completo, agregando e localizando as alterações metabólicas com base nas informações anatômicas em um único exame. A constatação de seus excelentes resultados em termos de acurácia e efetividade clínicas permitiu a rápida disseminação do método, culminando com o reembolso do exame por inúmeros programas e sistemas de saúde nos EUA, Europa e em alguns países em desenvolvimento.

No Brasil, a metodologia PET foi inicialmente introduzida em 1998 com as câmaras de cintilação com circuito de coincidência. Posteriormente, em 2003, equipamentos PET-dedicados e PET/CT foram gradativamente incorporados ao arsenal diagnóstico. Recentemente, notou-se um aumento crescente no número de equipamentos instalados em instituições públicas e privadas, associado a um número, também crescente, de instalações de cíclotrons (equipamentos que produzem os isótopos emissores de pósitron utilizados na realização dos exames). Os cíclotrons existentes no Brasil estão localizados em diferentes regiões do país, o que possibilita a descentralização da realização dos exames de PET/CT.

Devido à comprovada efetividade clínica do método e à falta de um consenso na utilização do método no país, a Sociedade Brasileira de Biologia, Medicina Nuclear e Imagem Molecular (SBBMN) e a Sociedade Brasileira de Cancerologia (SBC) reuniram-se com o intuito de elaborar uma Lista de Recomendações do Exame PET/CT com 18F-FDG em Oncologia. O objetivo desta lista é definir recomendações clínicas para o uso do exame PET/CT em oncologia. O trabalho de elaboração contou com a participação de profissionais experientes nas áreas de medicina nuclear e de oncologia representando as respectivas sociedades. A elaboração desta lista contou também com a colaboração de um médico nuclear indicado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Como resultado deste trabalho conjunto, uma lista de recomendações bem estabelecidas quanto ao uso da 18F-FDG PET/ CT em oncologia foi elaborada. As sociedades participantes do trabalho tiveram grande preocupação em definir as condições clínicas às quais o exame de 18F-FDG PET/CT pudesse agregar valores reais aos pacientes, reduzindo os custos de sua utilização. Os profissionais participantes do trabalho acreditam que a existência de uma lista de recomendações de uso do exame de 18F-FDG PET/CT no país será de grande importância, uma vez que poderá servir de referência para as indicações do procedimento, pois o método constitui-se em uma poderosa ferramenta para a condução adequada de pacientes portadores de diferentes tipos de tumores.

O resultado deste trabalho, oficialmente divulgado em sessão plenária especial durante o Congresso Brasileiro de Oncologia em outubro de 2009, em Curitiba, PR, contou com a participação dos presidentes das respectivas sociedades, membros integrantes das comissões das especialidades e representantes do INCA.

As recomendações quanto ao uso da 18F-FDG PET/CT em oncologia foram estabelecidas mediante uma busca da melhor evidência clínica na literatura médica e categorizadas como: adequada (classe IA), aceitável (classe IB), auxiliar (classe IIA), ainda desconhecida (classe IIB) e desnecessária ou sem dados suficientes disponíveis (classe III)(1,2). Com o intuito de estabelecer uma lista de recomendações que representasse condições clínicas as quais o exame de 18F-FDG PET/CT pudesse agregar valores reais aos pacientes com redução de custos, ficou estabelecido que as classes IA e IB apresentam uma base sólida para a utilização da 18F-FDG PET/CT na prática médica.

As recomendações e orientações práticas de organizações profissionais quanto ao uso da 18F-FDG PET e 18F-FDG PET/CT em oncologia são resumidas nas páginas a seguir. Vale salientar que outras situações clínicas poderão ser adicionadas a estas recomendações mediante evidências clínicas sólidas.

RECOMENDAÇÕES CLÍNICAS

1 – Cânceres do sistema respiratório

1.1 – Câncer do pulmão não pequenas células (CPNPC)

O câncer de pulmão apresenta a maior incidência mundial. Segundo a última estimativa, foram registrados 1.438.916 óbitos no ano de 2008, sendo 52% em países desenvolvidos(1). O número de casos novos de câncer de pulmão estimados para o Brasil, no ano de 2008, foi de 27.270 casos. Esses valores correspondem a um risco estimado de 19 casos novos a cada 100 mil homens e de 10 para cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pulmão é o terceiro mais frequente no Brasil. O CPNPC é, provavelmente, a patologia em que a 18F-FDG PET é mais utilizada(2,3):

• Avaliação de nódulo pulmonar solitário com dimensões iguais ou maiores que 1,0 cm (Classe IA) – Deve-se considerar que existem algumas situações (doenças inflamatórias/infecciosas, doenças granulomatosas) em que podem ocorrer falso-positivos. No entanto, o valor preditivo negativo é superior a 90%.

• Estadiamento nodal do CPNPC (Classe IA) – A abordagem cirúrgica com intenção curativa se limita essencialmente a pacientes com estádios I a IIIA, sendo crucial a avaliação linfonodal. Com sensibilidade e especificidade elevadas (em torno de 90%), a 18F-FDG PET é atualmente o método de imagem mais acurado para o estadiamento linfonodal e extranodal no CPNPC.

• No reestadiamento do CPNPC (Classe IA) – Considerando-se as limitações dos métodos de imagem estrutural, a 18F-FDG PET pode diferenciar recidiva local de fibrose em pacientes após a cirurgia, com sensibilidade e especificidade elevadas (em torno de 90%).

• No planejamento radioterápico de CPNPC (Classe IB) – A 18F-FDG PET/CT é preferível à TC isolada para definição dos campos radioterápicos na presença de atelectasia pulmonar pós-estenótica.

1.2 – Mesotelioma

O mesotelioma maligno é um tumor que provém das células mesoteliais multipotenciais da pleura ou peritônio. É a principal neoplasia maligna primária da pleura. Apresenta alto grau de malignidade, caracterizado por invasão local de partes moles como parede torácica, parênquima pulmonar, pericárdio e linfonodos regionais, e possíveis metástases para pulmões, fígado, pâncreas, rins, suprarrenais e medula óssea, reduzindo significativamente a sobrevida média dos pacientes (em torno de 12 meses), a despeito do tipo de tratamento instituído. Os mesoteliomas têm elevada afinidade pela 18F-FDG. Por isso, estudos com 18F-FDG PET são indicados para(4-6):

• Diagnóstico diferencial entre lesões benignas e malignas (Classe IIA).

• Estadiamento (Classe IB).

• Avaliação de resposta terapêutica (Classe IIA).

2 – Tumores de cabeça e pescoço

No mundo, estimou-se que em 2008 os cânceres de cabeça e pescoço foram responsáveis por 370.739 óbitos. Nos Estados Unidos, a incidência estimada é de 35.720, representando 2,4% de novos casos de neoplasia. No Brasil, o câncer de cavidade oral será responsável por 10.380 novos casos em 2009. As aplicações da 18F-FDG PET/CT no câncer de cabeça e pescoço incluem(7-9):

• Estadiamento, principalmente para a definição de conduta cirúrgica com abordagem unilateral ou bilateral (Classe IA).

• Detecção de doença residual ou recorrente (Classe IA).

• Detecção de tumor primário de origem desconhecida em pacientes com doença metastática (Classe IA).

3 – Cânceres do sistema digestivo

3.1 – Câncer de esôfago

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou, para 2008, 562.440 mortes decorrentes de câncer de esôfago. Nos Estados Unidos, estimou-se que o câncer de esôfago foi responsável por 14.530 mortes em 2008. No Brasil, de acordo com o último levantamento realizado pelo INCA, estimam-se 10.550 novos casos de câncer de esôfago em 2009. Em 2005, houve 6.457 óbitos relacionados ao câncer de esôfago no Brasil. A 18F-FDG PET tem-se mostrado eficiente nas seguintes situações(6,10):

• Estadiamento inicial nos casos em que não houver evidência de metástases à CT (Classe IB).

• Acompanhamento pós-tratamento quimiorradioterápico (Classe IIA).

3.2 – Carcinoma colorretal

No que concerne à incidência, o câncer de cólon e reto é a terceira causa mais comum de câncer no mundo, sendo responsável por 694.847 mortes em 2008. O número de casos novos de câncer de cólon e reto estimado para o Brasil em 2008 é de 12.490 casos em homens e de 14.500 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 13 casos novos a cada 100 mil homens e de 15 para cada 100 mil mulheres. Uma das primeiras indicações da 18F-FDG PET foi a avaliação de recidiva local em câncer colorretal na década de 80. Com excelentes sensibilidade e especificidade (acima de 90%), a 18F-FDG PET é fundamental na detecção de metástases linfonodais, acometimento peritoneal, metástases hepáticas e pulmonares. Assim, as aplicações da 18F-FDG PET no câncer colorretal incluem(6,11,12):

• Estadiamento inicial (Classe III).

• Antígeno carcinoembrionário (CEA) elevado, sem evidência de lesões por métodos de imagem convencionais (Classe IA).

• Avaliação de ressecabilidade de metástases (Classe IA).

• Na detecção de recidivas diante de achados radiológicos inconclusivos, mesmo sem CEA aumentado em tumores não secretores (Classe IA).

3.3 – Tumor estromal gastrintestinal (GIST)

Os tumores mesenquimais são as neoplasias mais comumente encontradas na submucosa intestinal e compreendem 1% dos tumores do trato gastrintestinal. Apresentam comportamento imprevisível, sendo a maioria assintomática, com descoberta acidental durante exame endoscópico ou radiológico. Geralmente ocorrem com igual frequência entre homens e mulheres e em pacientes com idade acima de 50 anos. Em cerca de dois terços dos casos originam-se no estômago. No intestino delgado, sua frequência é em torno de 25%, sendo que um terço está presente no duodeno. Envolvimento de cólon e reto ocorre em aproximadamente 10%. Os GISTs também concentram intensamente a 18F-FDG. As principais indicações da 18F-FDG PET são(13-15):

• Estadiamento (Classe IIA).

• Reestadiamento (Classe IB).

• Avaliação de resposta terapêutica notadamente em pacientes tratados com imatinib, nos quais a resposta metabólica avaliada pela 18F-FDG PET pode antecipar em semanas a resposta dada por métodos anatômicos (Classe IA).

4 – Câncer de mama

O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres. A cada ano, 22% dos casos novos de câncer em mulheres são de mama. Estimou-se, em 2008, a ocorrência de 559.081 óbitos relacionados ao câncer de mama no mundo. De acordo com o National Cancer Institute (NCI), 194.280 novos casos serão diagnosticados nos Estados Unidos. O número de casos novos de câncer de mama esperados para o Brasil, no ano de 2008, foi de 49.400, com um risco estimado de 51 casos a cada 100 mil mulheres. As aplicações da 18F-FDG PET no câncer de mama, considerando-se o carcinoma ductal, incluem(6,16-18):

• Detecção de câncer de mama metastático ou recorrente para pacientes com suspeita clínica de metástases ou recidiva (Classe IA).

• Reestadiamento em pacientes com recidiva locorregional ou metástase (Classe IA).

• Avaliação de resposta ao tratamento em paciente com doença localmente avançada ou câncer metastático (Classe IA).

• Acompanhamento pós-tratamento (Classe III).

5 – Melanoma

O melanoma é menos frequente do que os outros tumores de pele (basocelulares e de células escamosas), no entanto, sua letalidade é mais elevada. A OMS estima que, anualmente, ocorram cerca de 132 mil casos novos desse câncer no mundo, e que são estimados 72.901 óbitos relacionados. Nos Estados Unidos, estimam-se 68.720 novos casos para 2009, enquanto, no Brasil, são estimados 5.920 casos novos para o mesmo período. As aplicações da PET em melanoma incluem(6,19,20):

• Estadiamento de pacientes de alto risco (Breslow > 1,5 mm) (Classe IA).

• Reestadiamento de pacientes com melanoma de alto risco ou candidatos a metastectomia, exceto para lesões muito pequenas (< 3 mm de diâmetro) e lesões no sistema nervoso central (Classe IA). 6 – Cânceres dos órgãos genitais 6.1 – Câncer de ovário Para 2008, estimam-se 155.326 óbitos decorrentes de câncer de ovário no mundo. Nos Estados Unidos, 21.550 novos casos são esperados para o ano de 2009. Aproximadamente 90% dos cânceres do ovário são epiteliais e se originam de células na superfície do ovário. Os 10% restantes são de células germinativas e tumores estromais. A sobrevida em cinco anos é de 92% para doença localizada, porém 30% dos casos com metástases a distância. Aplicações clínicas(21): • Reestadiamento após tratamento de primeira linha (Classe IA). • CA125 aumentado, sem identificação de lesões por métodos de imagem convencionais (Classe IB). 6.2 – Câncer de colo uterino Com aproximadamente 500 mil casos novos/ano no mundo, o câncer do colo do útero é o segundo mais comum entre as mulheres, sendo responsável pelo óbito de 286.451 mulheres/ano. Sua incidência é cerca de duas vezes maior em países menos desenvolvidos, quando comparada à dos desenvolvidos. O número de casos novos de câncer do colo do útero estimados no Brasil, em 2008, foi de 18.680, com risco estimado de 19 casos a cada 100 mil mulheres. Aproximadamente 43% dos novos casos diagnosticados se apresentam com doença localmente avançada (III e IVA), sendo candidatas a tratamento sistêmico. O estadiamento clínico inicial do câncer do colo do útero é notoriamente impreciso. Neste contexto, a 18F-FDG PET tem demonstrado grande utilidade em pacientes com doença localmente avançada, principalmente pela caracterização de linfonodos retroperitoneais aparentemente normais à CT ou à ressonância magnética (RM). Na avaliação da resposta terapêutica em pacientes submetidos a radio e quimioterapia, a 18F-FDG PET tem maior acurácia do que os métodos de imagem anatômicos e uma resposta metabólica completa tem alto valor prognóstico. Outra contribuição do estudo de 18F-FDG PET é no reestadiamento de pacientes com suspeita de recidiva(21). As aplicações clínicas da 18F-FDG PET/CT no câncer de colo uterino são: • Estadiamento inicial de doença localmente avançada (Classe IB). • Reestadiamento e avaliação da resposta terapêutica (Classe IIB). • Na suspeita de recidiva (Classe IIA). • No planejamento radioterápico (Classe IIA). 6.3 – Câncer testicular Indicação da 18F-FDG PET na avaliação dos seminomas(22,23): • Reestadiamento, na avaliação de massas residuais, após orquiectomia e quimioterapia (Classe IA). 7 – Câncer de tireoide Os carcinomas diferenciados de tireoide apresentam concentração aumentada de 18F-FDG. Vários estudos relataram elevadas sensibilidade e especificidade (75-85% e 90%, respectivamente) para detecção de metástases em pacientes com carcinoma bem diferenciado da tireoide com pesquisa de corpo inteiro (PCI) com iodo-131 negativa (131I-PCI) ou duvidosa e tireoglobulina (Tg) aumentada (> 10 ng/ml). Nesses casos, a 18F-FDG PET está indicada como método diagnóstico desde que a curva de Tg seja ascendente e ultrassonografia (US) cervical e CT de tórax estejam também negativas(12,24). Dados recentes indicam a utilidade da 18F-FDG PET na avaliação da extensão da doença mesmo em pacientes com PCI positiva. Portanto, a 18F-FDG PET também pode ser indicada em pacientes com PCI positiva, quando a demonstração de lesões adicionais pela 18F-FDG PET pode determinar mudanças significativas na conduta clínica. As aplicações podem ser resumidas em:

• Carcinoma papilífero se a Tg > 10 ng/ml ou Tg estimulada > 5 ng/ml e 131I-PCI negativa (Classe IA).

• Carcinoma folicular se a Tg > 10 ng/ml ou Tg estimulada > 5 ng/ml e 131I-PCI negativa (Classe IA).

• Carcinoma de células de Hurthle se a Tg > 10 ng/ml ou Tg estimulada > 5 ng/ml e 131I-PCI negativa (Classe IA).

• Carcinoma medular, reestadiamento em pacientes com aumento progressivo dos níveis de calcitonina e com investigarão por métodos de imagem negativos ou inconclusivos (Classe IB)(17).

• Carcinoma anaplástico (Classe III).

8 – Tumores do sistema nervoso central

A 18F-FDG PET apresenta bons resultados na avaliação de recidivas de tumores primários do sistema nervoso central (SNC) de alto grau. Na avaliação de recidiva de gliomas, as imagens estruturais (CT e RM) apresentam dificuldade na diferenciação entre células tumorais viáveis, edema e fibrose, enquanto a 18F-FDG PET demonstra aumento importante da concentração de 18F-FDG no tumor recidivado de alto grau. Portanto, a 18F-FDG PET foi classificada como Classe IIA para a detecção de recorrência em gliomas de alto grau(25,26). Em gliomas de baixo grau, nos quais a concentração de 18F-FDG é apenas moderadamente aumentada, o estudo com 18F-FDG não está indicado. As aplicações clínicas nos tumores do SNC incluem:

• Reestadiamento de glioblastoma multiforme / astrocitoma anaplástico / oligodendroglioma anaplástico (Classe IA).

• Pacientes com lesão(ões) suspeita(s) no SNC, indefinida(s) pelos métodos de imagem convencionais (Classe IIA).

9 – Linfoma

Linfoma é a quinta neoplasia mais frequente nos Estados Unidos e reune um grupo heterogêneo de neoplasias linfocitárias, dividindo-se basicamente em duas categorias: linfoma de Hodgkin (LH) e linfoma não Hodgkin (LNH). Estima-se que 74.490 casos foram diagnosticados em 2009, sendo esta patologia responsável por 359.993 óbitos em 2008. Com exceção dos LNHs de baixo grau, os LNHs e LHs apresentam alta concentração de 18F-FDG. No estadiamento, a 18F-FDG PET apresenta maiores sensibilidade e especificidade na detecção de acometimento nodal e extranodal. No reestadiamento, principalmente na avaliação de massas residuais, a 18F-FDG PET apresenta excelente acurácia na caracterização não invasiva dos linfomas(27,28), e no Brasil, especialmente, apresenta-se altamente custo-efetiva(29). Assim, as recomendações clínicas do uso da 18F-FDG PET em linfoma são:

• Estadiamento inicial (Classe IA).

• Reestadiamento após tratamento de primeira linha (Classe IA).

• Avaliação de resposta precoce à quimioterapia (Classe IIA).

• Seguimento (Classe III).

10 – Identificação de tumor primário oculto

Detecção de neoplasia primária desconhecida é um desafio para os médicos oncologistas e imaginologistas. Em muitos casos, os pacientes se apresentam com doença metastática evidente. O diagnóstico da neoplasia primária é importante, pois irá definir o tipo de tratamento. Há vários relatos sobre o uso da 18F-FDG PET nesta condição clínica(30,31):

• Identificação de tumor primário oculto (Classe IIA).

Fonte: http://www.radiology.com.br

Teste consegue achar e capturar células do câncer


Exame em teste vai ajudar médicos a saber se tratamento está funcionando

A multinacional Johnson & Johnson e médicos do Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, fizeram uma parceria para testar e lançar no mercado um novo exame que consegue detectar uma única célula de câncer entre bilhões de outras saudáveis, o que pode ajudar no diagnóstico precoce e no tratamento da doença.

Médicos dizem que células cancerígenas “perdidas” no meio do sangue são um indicativo de que um tumor está próximo de se disseminar pelo corpo ou já está se alastrando. De acordo com eles, um exame que consiga capturar essas células tem o potencial de tornar o tratamento direcionado para vários tipos de câncer, especialmente de mama, próstata, colo do útero e pulmão.

Quatro grandes centros de pesquisa vão começar a testar o método neste ano. Inicialmente, os médicos querem usar o exame para prever que tipo de tratamento é o mais indicado para o tumor de cada pessoa e descobrir se a terapia está funcionando.

Daniel Haber, chefe do centro de tratamento de câncer do hospital e um dos inventores do teste, diz que o sistema parece “uma biópsia líquida”, que dispensa agulhas e é mais eficiente que exames feitos por imagem.

O exame usa um microchip que parece uma lâmina de laboratório coberta por 78 mil pequenos pontos, como as cerdas de uma escova de cabelo.

Esses pontos têm anticorpos que atraem as células do tumor e se ligam a elas. Quando o sangue passa pelo chip, as células são impulsionadas pelo sistema, em algo parecido como as bolas de uma máquina de pinball. Enquanto as células saudáveis são jogadas para fora, as células cancerígenas se prendem e são iluminadas pela lâmina, o que permite que os médicos as capturem para estudo.

Haber diz que a ideia é descobrir, durante o tratamento, se a droga usada está funcionando contra o tumor ou se é melhor mudar para outra, mas de um modo mais eficiente.

Fonte:

http://noticias.r7.com/saude/noticias/teste-consegue-achar-e-capturar-celulas-do-cancer-20110103

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

É LEGÍTIMA A RECUSA DO TRATAMENTO SEM SANGUE

É legítima a recusa de tratamento que envolva transfusão de sangue, por parte dos adeptos da religião Testemunhas de Jeová. Essa foi a conclusão do constitucionalista Luís Roberto Barroso, em parecer elaborado a pedido da Procuradoria-Geral do Rio de Janeiro. A religião não recomenda o tratamento, mesmo quando há risco de morte do paciente, por entender que a transfusão de sangue é proibida pela lei divina.

A instituição aprovou o parecer do constitucionalista e encaminhou ao governador Sérgio Cabral, que poderá formular um projeto de lei. A situação vem se repetindo com frequência no Hospital Universitário Pedro Ernesto. Por isso, o diretor Jurídico da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Maurício Mota, pediu parecer normativo ao Ministério Público estadual. O advogado entende que o estado não pode impor procedimento médico recusado pelo paciente. “Em nome do direito à saúde ou do direito à vida, o Poder Público não pode destituir o indivíduo de uma liberdade básica, por ele compreendida como expressão de sua dignidade.”

A opinião de Luís Roberto Barroso chegou para desempatar o placar de pareceres produzidos pelo Ministério Público do estado. O procurador Gustavo Binenbojm foi favorável ao direito de recusa. Ele entendeu que a decisão do paciente de se recusar ao tratamento “é autoexecutória em relação ao médico, na medida em que se baseia diretamente nos direitos fundamentais envolvidos”. Já o procurador-chefe Flávio de Araújo Willeman foi contrário. Para ele, não é aceitável que uma pessoa “sob o fundamento de professar crença religiosa, dentro de um hospital (público ou privado) [possa] impedir o médico de cumprir com sua histórica missão de salvar vidas”.

Para Barroso, a liberdade religiosa e o direito fundamental derivado da dignidade da pessoa humana asseguram a todos o direito de fazer suas escolhas existenciais. Inclusive a de negar tratamento médico. Ele destacou que a ética médica evoluiu nas últimas décadas. “A regra, no mundo contemporâneo, passou a ser a anuência do paciente em relação a qualquer intervenção que afete sua integridade.”

O constitucionalista ressalta que a dignidade da pessoa humana está ligada à autonomia do indivíduo e expressa a liberdade de cada cidadão de fazer suas escolhas existenciais e assumir a responsabilidade delas. “Na Constituição brasileira, é possível afirmar a predominância da ideia de dignidade como autonomia, o que significa dizer que, como regra, devem prevalecer as escolhas individuais.”

Ele reconhece a gravidade da decisão em casos de risco de morte. Por isso, destaca que “para que o consentimento seja genuíno, ele deve ser válido, inequívoco e produto de uma escolha livre e informada”.

Entendimento contrário
Em fevereiro de 2009, o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás conseguiu autorização da Justiça para fazer transfusão de sangue em um paciente da religião Testemunha de Jeová. Em liminar, o desembargador federal Fagundes de Deus, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, registrou que no confronto entre os princípios constitucionais do direito à vida e do direito à crença religiosa importa considerar que atitudes de repúdio ao direito à própria vida vão de encontro à ordem constitucional. Para exemplificar, lembrou que a legislação infraconstitucional não admite a prática de eutanásia e reprime o induzimento ou auxílio ao suicídio.

Na ação, a Universidade Federal de Goiás, autarquia responsável pelo Hospital das Clínicas, argumentou que o estado do paciente era grave e pedia, com urgência, a transfusão de sangue. Explicou que o hospital é obrigado a respeitar o direito de autodeterminação da pessoa humana, reconhecido pela ordem jurídica, nada podendo fazer sem autorização da Justiça. Além disso, o hospital sustentou na ação que o direito à vida é um bem indisponível, cuja proteção incumbe ao Estado e que, no caso concreto, a transfusão sanguínea é a única forma de efetivação de tal direito.

Para o desembargador, Fagundes de Deus, “o direito à vida, porquanto o direito de nascer, crescer e prolongar a sua existência advém do próprio direito natural, inerente aos seres humanos, sendo este, sem sombra de dúvida, primário e antecedente a todos os demais direitos”. Com isso, autorizou a transfusão.

Clique aqui e leia o parecer

Link original: http://www.conjur.com.br/2010-mai-08/legitimo-recusar-tratamento-saude-crenca-religiosa

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O que é Densitometria Óssea?

O que é Densitometria Óssea?


A Densitometria Óssea estabeleceu-se como o método mais moderno e aprimorado para se medir a densidade mineral óssea e comparado com padrões para idade e sexo. Essa é condição indispensável para o diagnóstico e tratamento da osteoporose e de outras possíveis doenças que possam atingir os ossos. Os aparelhos utilizados atualmente conseguem aliar precisão e rapidez na execução dos exames. A exposição à radiação é baixa, tanto para o paciente como para o próprio técnico.
As partes mais afetadas na osteoporose são: o colo do fêmur, coluna, a pelve e o punho. As partes de interesse na obtenção das imagens para diagnóstico são o fêmur e a coluna vertebral. Sabe-se que hoje a densitometria óssea é o único método para um diagnóstico seguro da avaliação da massa óssea e conseqüente predição do índice de fratura óssea. Segundo a Organização Mundial de Saúde, OMS, a osteoporose é definida como doença caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da micro-arquitetura do tecido ósseo.
É recomendado que se repita anualmente a densitometria óssea para que o médico controle o acompanhamento evolutivo da osteoporose.
O objetivo de se fazer uma densitometria óssea é avaliar o grau da osteoporose, indicar a probabilidade de fraturas e auxiliar no tratamento médico. O paciente não necessita de preparo especial e nem de jejum. O exame leva aproximadamente 15 minutos. A osteoporose pode ser controlada, desde que o médico possa precisar o real estado de saúde do paciente.

O que é Radioterapia?

O que é Radioterapia?


Radioterapia é uma especialidade médica focada no tratamento oncológico utilizando radiação. Há duas maneiras de utilizar radiação contra o câncer: Teleterapia: utiliza uma fonte externa de radiação com isótopos radioativos ou aceleradores lineares;e Braquiterapia: que é o tratamento através de isótopos radioativos inseridos dentro do corpo do paciente onde será liberada a radiação ionizante.
Radioterapia Externa
É um tratamento de radioterapia em que o paciente recebe a radiação de uma fonte externa. Ou seja, a radiação que atinge o tumor é emitida por um aparelho fora do corpo do paciente. Nesse tipo de tratamento a radiação também atinge todas as estruturas (tecidos e órgãos) que estiverem no trajeto do tumor. Nesse caso, a fonte radioativa é colocada a uma distancia que varia de 1cm a 1m da região a ser tratada. Os equipamentos utilizados na teleterapia podem ser quilovoltagem, de megavoltagem e de teleisotopoterapia.
Equipamentos de Quilovoltagem
São tubos convencionais de raios X. A voltagem aplicada entre os eletrodos é no máximo de 250 kV. Por essa razão, esses equipamentos são usados principalmente no tratamento de câncer de pele. Nesse tratamento o paciente é submetido a doses de 300 rad (3Gy) até atingir um total de 6000 rad (60 Gy).
Equipamentos de Megavoltagem
Nessa classe se situam os aceleradores de partículas como aceleradores lineares e bétatrons. Num caso típico em que os elétrons atingem uma energia de 22 MeV, a dose máxima devida a raios X ocorrerá entre 4 e 5 cm de profundidade, decresce para 83% a 10 cm e para 50% a 25cm. Portanto na terapia de tumores nos órgãos mais profundos como pulmão, bexiga, próstata, útero, laringe, esôfago, etc.
Braquiterapia
A Braquiterapia é uma forma de radioterapia na qual a fonte de radiação é colocada no interior ou próxima ao corpo do paciente. Materiais radioativos, geralmente pequenas cápsulas, são colocadas junto ao tumor liberando doses de radiação diretamente sobre ele, afetando ao mínimo os órgãos mais próximos e preservando os mais distantes da área do implante.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Bloquear gene rebelde pode impedir câncer de se espalhar























Cientistas britânicos descobriram um "gene rebelde" que ajuda a espalhar câncer pelo corpo. Eles dizem que bloquear o gene com as drogas certas pode impedir muitos tipos de câncer de se espalharem.

Pesquisadores da Universidade de East Anglia disseram que sua descoberta pode levar, em dez anos, ao desenvolvimento de novos medicamentos para interromper uma etapa crítica do câncer, chamada metástase, em que as células cancerígenas se espalham para outras partes do corpo.

O gene em questão, chamado WWP2, é um agente de ligação enzimática encontrado dentro de células cancerígenas, explicaram os pesquisadores em estudo publicado na segunda-feira no periódico Oncogene.

Ele ataca e rompe uma proteína que ocorre naturalmente no corpo e que normalmente impede a difusão das células cancerígenas.

Em testes feitos em laboratório, a equipe da UEA descobriu que, quando se bloqueou o WWP2, os níveis da proteína inibidora natural se elevaram, e as células de câncer permaneceram dormentes.

Andrew Chantry, da escola de ciências biológicas da UEA, que liderou a pesquisa, disse em entrevista telefônica que a descoberta significa que nos próximos dez anos poderão ser desenvolvidas drogas para sustar a expansão agressiva de muitas formas de câncer, incluindo os cânceres de mama, cérebro, cólon e pele.

Se for desenvolvida uma droga que desative o WWP2, disse ele, terapias convencionais como a quimioterapia e a radioterapia poderão ser usadas contra tumores primários, sem risco de a doença atingir outras partes do organismo.


Fonte: uol noticias.

domingo, 31 de outubro de 2010

Nova regra de ressuscitação dá prioridade à massagem cardíaca




Nova regra de ressuscitação dá
prioridade à massagem cardíaca











Os médicos deram uma "ajudinha" para quem tem a difícil missão de ressuscitar uma pessoa que sofreu de parada cardíaca. De acordo com as novas diretrizes de ressuscitação cardiopulmonar, divulgadas nesta semana, a massagem cardíaca sem a respiração boca a boca é tão eficaz quanto os dois procedimentos em sequência, quando realizada por leigos.

Segundo a AHA (American Heart Association), órgão americano que divulgou as novas normas nesta segunda-feira (18), as chances de sucesso de uma pessoa que faz a massagem cardíaca corretamente são praticamente as mesmas de quem opta pela dobradinha, além de contar com a vantagem de se ganhar tempo – essencial no processo.

Fotos: veja como fazer a ressuscitação

Pela nova norma, a respiração deve ainda ser padrão para os profissionais de saúde, que sabem fazê-la com a qualidade e agilidade adequada.

Se a vítima da parada cardíaca não receber nenhuma ajuda em até oito minutos, a chance de ela sobreviver não passa de 15%. Já ao receber a massagem, a chance aumenta para quase 50% até a chegada da equipe de socorro, que assumirá o trabalho.

Pela nova norma, o leigo que se deparar com uma pessoa desacordada deve seguir cinco passos até que os paramédicos cheguem – antes eram pelo menos oito. O cardiologista Hélio Penna Guimarães, do Hospital do Coração, de São Paulo, mostra quais são.

- 1º. Antes de ajudar o desacordado, tenha certeza de que o lugar é seguro para você e para fazer o atendimento. Caso contrário, serão duas vítimas.

- 2º. Avalie o nível de consciência da vítima, vendo se está acordada e perguntando se está bem.

- 3º. Peça ajuda. Solicite a quem aparecer para ligar para o resgate e peça também para trazerem um DEA (Desfibrilador Externo Automático), geralmente localizado em aeroportos, rodoviárias e shopping centeres.

- 4º. Ver se a pessoa tem algum sinal de vida, se está respirando. Para isso, recline a cabeça dela, levantando levemente o queixo para cima. Chegue próximo ao rosto e sinta se há respiração, mesmo que espaçada. Se não houver, comece a massagem cardíaca.

- 5º. Conhecida no termo médico como compressão torácica, a massagem cardíaca deve ser realizada no meio do peito (entre os dois mamilos), com o movimento das mãos entrelaçadas (uma em cima da outra) sob braços retos, que devem fazer ao menos cem movimentos de compressão por minuto, de forma rápida e forte.

Os movimentos servem para retomar a circulação do sangue e, consequentemente de oxigênio, para o coração e o cérebro, interrompida quando o coração para. Não espere mais de dez segundos para começar a compressão e a faça até o resgate chegar, sem qualquer interrupção. Como demanda esforço físico, tente revezar com outra pessoa, de forma coordenada, se puder.

O cardiologista explica que a mudança se deu com o intuito de facilitar o processo e impedir que pessoas desistam de fazê-lo pelo receio de encostar sua boca na boca de desconhecidos.

- Algumas pesquisas nos Estados Unidos mostraram que o número de ressuscitações havia diminuído muito em cidades onde o número era alto, por causa do medo de contrair doenças pela boca.

EUA proíbem remédio contra obesidade Qnexa pode causar riscos para a saúde do coração do usuário


EUA proíbem remédio contra obesidade

Qnexa pode causar riscos para a saúde do coração do usuário
O FDA (agência norte-americana que regulamenta os setores de alimentos e remédios) proibiu a venda do Qnexa, um remédio experimental contra a obesidade produzido pelo laboratório Vivus.

O órgão indicou em uma carta que "não pode aprovar o Qnexa em sua forma atual". Assim, o FDA seguiu, como faz muitas vezes, as recomendações de um comitê consultivo de especialistas, adotadas na metade de julho. Eles se pronunciaram contra a comercialização do medicamento, citando seus possíveis riscos cardíacos.

Qnexa era o primeiro medicamento para tratar a obesidade submetido à aprovação da FDA em dez anos.

Trata-se de uma combinação de dois fármacos que já estão no mercado: fentermina, derivado da anfetamina e utilizado para reduzir o apetite, e topiramato, um antiepilético que serve para tratar convulsões. Apesar de quase um terço dos americanos serem obesos ou estejam em sobrepeso, há poucos tratamentos no mercado.

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Anoréxicas correm mais riscos de gravidez não planejada e aborto induzido Mulheres com distúrbio alimentar podem engravidar mesmo com ciclo menstrual


Anoréxicas correm mais riscos de
gravidez não planejada e aborto induzido

Mulheres com distúrbio alimentar podem engravidar mesmo com ciclo menstrual irregular
Pesquisadores noruegueses e da Universidade Carolina do Norte (Estados Unidos) revelaram que mulheres anoréxicas estão mais sujeitas a gravidez não planejada e a aborto induzido do que as mulheres que não têm problemas alimentares.

Os cientistas avaliaram 62.060 mulheres, com idade média de 29,9 anos. Desse total, 62 sofriam de anorexia nervosa, com média de 26,2 anos.

O estudo revelou que 50% das anoréxicas grávidas não tinham planejado a gestação. Já entre as mulheres sem distúrbios alimentares, esse índice era de 18,9%. Com relação a aborto provocado, 24,2% das mulheres com anorexia relataram pelo menos um caso no passado, em comparação a 14,6% das outras.

De acordo com Cynthia Bulik, autora do estudo, esses resultados devem servir de alerta para as mulheres que sofrem de anorexia, pois muitas delas acreditam que não conseguem engravidar porque apresentam ciclo menstrual irregular.

- A anorexia não é um método contraceptivo. Só porque a mulher não está menstruando ou tem o ciclo irregular, não significa que ela não possa engravidar.

Para Cynthia, os médicos e profissionais de saúde que cuidam dessas pacientes devem falar com elas sobre sexualidade e métodos de prevenção de uma forma tão clara como é debatido com outras mulheres.
Além disso, a médica afirma que é preciso estar alerta às mulheres grávidas que enfrentam distúrbios alimentares para que elas recebam o tratamento adequado o mais rápido possível.

- A avaliação de problemas alimentares durante as visitas pré-natal é um excelente primeiro passo.



Do R7

domingo, 11 de abril de 2010

Testemunhas de Jeová - O desafio cirúrgico/ético


Testemunhas de Jeová
O desafio cirúrgico/ético



OS MÉDICOS enfrentam um crescente desafio, que veio a ser uma grande questão em debate sobre a saúde. Há mais de meio milhão de Testemunhas de Jeová nos Estados Unidos [mais de 250.000 no Brasil] que não aceitam transfusões de sangue. O número de Testemunhas, e dos que se associam com elas, vem aumentando. Embora, antigamente, muitos médicos e autoridades hospitalares considerassem a recusa de uma transfusão um problema jurídico e procurassem obter autorização judicial para administrar o tratamento que achavam ser clinicamente aconselhável, recentes publicações médicas revelam que tem havido apreciável mudança de atitude. Tal se deve possivelmente à maior experiência no campo da cirurgia em pacientes com taxa muito baixa de hemoglobina, e pode ser que reflita também a crescente percepção do princípio legal de consentimento conscientizado.
Hoje, grande número de casos de cirurgia eletiva e de traumatismo, que envolvem Testemunhas, tanto adultas como menores de idade, estão sendo atendidos com bom êxito sem transfusões de sangue. Recentemente, representantes das Testemunhas de Jeová reuniram-se com equipes cirúrgicas e administrativas em alguns dos maiores centros médicos dos Estados Unidos. Estas reuniões melhoraram o entendimento e ajudaram a solucionar questões sobre o reaproveitamento de sangue, transplantes e a questão de evitar o confronto médico/legal.
Nos últimos anos, temos presenciado sensível progresso no exercício da Ética Médica no Brasil, a exemplo do que ocorre em outros países, no que se refere a maior apreciação do conceito social, médico, jurídico e moral da autonomia do paciente. As Testemunhas de Jeová apreciam observar este progresso, e crêem que uma relação mais franca e aberta entre o paciente e o seu médico promove o respeito mútuo a dignidade e aos valores pessoais de cada um.

A escolha de tratamento médico isento de sangue total ou seus componentes primários, feito pelas Testemunhas de Jeová, motivadas por suas convicções religiosas, é eminentemente um exercício de sua autonomia como paciente. Em vista das inúmeras alternativas médicas ao sangue hoje disponíveis, autoridades médicas de vários países têm se pronunciado em favor do respeito a escolha de tratamento médico feito pelas Testemunhas de Jeová, bem como de outros pacientes que por outros motivos escolhem tal tipo de tratamento.

O respeito à autonomia do paciente estende-se aos seus valores religiosos. Tais valores não
podem ser desconsiderados ou minimizados por outrem, em particular pelos profissionais de saúde,
a despeito dos melhores e mais sinceros interesses destes. Ademais, os valores
religiosos podem ser uma força positiva para o conforto e a recuperação do paciente se ele
estiver seguro de que os mesmos serão respeitados.
UNITERMOS _ Valores, respeito às crenças, autodeterminação

domingo, 19 de julho de 2009

Após 140 horas sem atendimento, mulher morre ao cair da maca


jun.04, 2009

Após 140 horas sem atendimento, mulher morre ao cair da maca



Jorge Gauthier | Redação CORREIO

O cheiro de moqueca de peixe com marisco dos almoços de domingo não será mais sentido na casa número 93 E da Rua do Congo, em Alto de Coutos, no subúrbio de Salvador.

Especialista no preparo do prato e na arte de reunir a família, a matriarca Aurenita Maria Oliveira Santos - 61 anos, cinco filhos e dois netos - foi vítima do caos no sistema de saúde de Salvador.

Dor e ausência: Aurenita e família reunidos Foto: Reprodução

No dia 19 de maio, ela teve uma crise de hipertensão em casa e foi levada por uma ambulância do Samu para o HGE, onde não havia vagas para internação. Quatro dias depois, a dona de casa estava em uma maca no Centro de Saúde Adroaldo Albergaria (Periperi) ainda à espera de um leito de UTI. Chegou ali após passar também inutilmente pelo Hospital João Batista Caribé.

Dona Aurenita, 61 anos, à espera de atendimento Foto: Antonio Queiros

Eram 9h do dia 23, quando o patisseiro Isael Oliveira Santos, 27 anos, um dos cinco filhos de Aurenita, pediu para uma enfermeira olhar a mãe enquanto ia ao banheiro. Quando voltou, Aurenita estava caída no chão.

No dia seguinte, internada finalmente no HGE, dona Nita, como era conhecida por vizinhos e amigos, morreu. Ela agora repousa embaixo de uma árvore na quadra C, cova 422 do Cemitério de Periperi.

Os filhos não se conformam com a perda de dona Nita, que fazia questão de manter a casa arrumada e cheia de plantas e ter a família por perto. Seus quatro filhos casados eram seus vizinhos em Alto dos Coutos.

“Perdi a jóia mais preciosa que eu tinha por uma imprudência médica. No dia que ela passou mal, ficamos percorrendo hospitais. No único com vaga, deixaram minha mãe cair da maca. Arrancaram o que eu tinha de mais importante”, indigna-se Eliaci, 27 anos, única filha mulher de Aurenita.
Nos últimos três anos, dona Nita começou a sofrer de hipertensão arterial pulmonar e passou a penar no sistema público de saúde. Mas foi ao precisar de um leito de UTI que a dona de casa conheceu a pior face do sistema: a falta de vagas, a falta de atendimento, a falta de atenção.

E, finalmente, a queda da maca. Depois do tombo, Aurenita passou a sentir fortes dores na cabeça e no abdômen, além da dificuldade em respirar. O filho Isael conta que os médicos plantonistas disseram que “a queda não tinha alterado nada no quadro da paciente”. Mas o atestado de óbito de Aurenita revela a causa mortis: traumatismo craniano.

Aurenita, uma mulher de muita fé
Os cultos das quartas e domingos no Salão do Reino das Testemunhas de Jeová (Coutos) foram lei durante 19 anos na vida de Aurenita. “Ela era a rocha espiritual da nossa família”, conta a filha Eliaci Oliveira Santos.

Apesar da fé e determinação da evangelizadora, que pregava de porta em porta pelas ruas do bairro, nos últimos dois anos a doença tirou sua alegria de viver. “Ela já estava sem muita energia, não podia mais fazer as atividades de dentro de casa, pois sentia muita falta de ar. Era triste vê-la tentando fazer algo e tendo que parar por causa da respiração”, completa a filha.

Dias antes de ser internada, Aurenita tinha dito a sua cunhada, Valdezi Batista Silva, que a acompanhava nas consultas médicas, que estava sentindo que iriamorrer. “Ela não tinha mais gosto em viver por causa da doença”, comenta o marido.

Como toda mulher batalhadora, sempre procurava ajudar os filhos. Ela tinha um único sonho: ver todos os filhos casados. “Infelizmente ela não conseguiu realizar esse desejo. Ela acabou morrendo sem me ver casar. Mas deve ter ficado contente com os meus irmãos”, lamenta Eliaci. Mesmo casados, os outros filhos de Aurenita não saíram de perto da mãe. Todos moram no mesmo bairro.

Ninguém lhe deu atenção
Cinco dias deitada em uma maca de 40 cm de largura com tubos de respiração artificial, alimentação regrada e medo de perder a vida. Este quadro compõe a situação vivida por Aurenita, que tinha 1,75 m e 80 kg, no Centro de Saúde Adroaldo Albergaria (Periperi).

Na sala de reanimação, ela teve seus últimos momentos de consciência e de contato com os filhos, que eram a sua razão de viver. “Ela saiu da cama dela quentinha, que ela tanto gostava, para mofar naquele lugar onde não era bem atendida. Tinha macas maiores em outros lugares do posto, mas os funcionários disseram que não poderiam trocar. Ficou esperando transferência, mas quando foi para o hospital já foi tarde demais”, lamenta Ismael Oliveira Santos, 29 anos, segurança, filho da dona de casa.

O calvário de Aurenita ganhou contornos de tragédia anunciada já na saída da sua residência, no começo da manhã ensolarada do dia 19 de maio, pelas mãos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Em função de obras de pavimentação que já acontecem na rua há mais de um ano, a equipe teve que parar a ambulância a 500m da casa. “Médicos e vizinhos ficaram se equilibrando pela rua esburacada e com esgoto aberto com minha mãe em cima da maca”, conta Ismael.

A ambulância do Samu percorreu dois hospitais mas, por falta de vaga, Aurenita teve que ser levada para o centro de saúde, onde conheceu as agruras da vida. Desde quando deu entrada na unidade de saúde, que realiza cerca de 600 atendimentos diariamente, a manutenção da vida de Aurenita dependia da transferência para um leito de unidade de terapia intensiva.

“A paciente veio para cá porque a central de regulação não identificou a presença de uma vaga disponível. Ela não poderia ter ficado aqui, pois não temos nenhuma estrutura para monitorar os pacientes pela grande rotatividade”, diz o gerente do posto de saúde, Gilberto Lucas.

Como explicar esta morte: descaso ou falta de leitos?
A voz mansa da dona de casa que odiava bagunça não será mais ouvida pelo marido Pedro Batista Santos. Ela acordou o pedreiro por 27 anos todos os dias às 5h.

“A falta de preparo da equipe médica do posto foi crucial para que a vida da minha mulher chegasse ao fim. Está sendo muito difícil perceber que não posso mais ficar ao lado dela”, comenta entristecido.

Pedro, que também trabalha como barbeiro nas horas vagas, dormiu todas as noites ao lado de Aurenita no período em que ela ficou internada no centro de saúde. “Eu nunca vi alguém sofrer tanto. Os funcionários se incomodavam quando ela pedia alguma coisa. Se irritavam quando ela tentava se equilibrar na maca. Judiaram muito da minha mulher”, lembra.

Em meio ao sofrimento, a família conseguiu, sem intermediação do poder público, uma possibilidade de transferência para o Hospital Geral Ana Nery, na Caixa d’Água.

Porém a vaga que poderia ter salvado a vida de Aurenita teria sido recusada pelo centro de saúde. “Disseram que não era nossa obrigação ficar procurando vaga, que isso era papel do estado. Me senti impotente. Queira tirar ela daquele lugar onde estava sofrendo tanto”,conta a filha Eliaci Oliveira Santos.

O diretor do centro de saúde, Gilberto Lucas, informou que a unidade encaminhou todos dos dias o pedido de regulação (transferência) ao estado. Ele alega que, por falta de vagas, a paciente só foi transferida dia 23. Por “coincidência”, na mesma data que a família diz que houve a queda.

Além disso, o gerente afirma que no livro de ocorrências da emergência não há indicativo de que a paciente tenha caído da maca. “Ela estava na única sala de reanimação que temos enquanto aguardava transferência para um hospital. Estranho falar em queda, pois a maca tem grades”.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou que no sistema de regulação, dia 23, o centro de saúde indicou que a paciente teria recebido alta. Contudo, no mesmo dia ela deu entrada no Hospital Geral do Estado - transferida do centro de saúde.

No HGE, a paciente foi submetida a uma avaliação neurológica, em função da queda, e faleceu na sala de triagem antes de poder ser internada. A subcoordenadora de urgência e emergência da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador, Ana Paula Matos, apesar de não reconhecer que a paciente caiu da maca, garante que a secretaria irá apurar o caso. A família entrará com uma representação no Ministério Público da Bahia (MP-BA) para cobrar as responsabilidades.

Fim do amor de uma vida inteira
Nascida em Jaguaribe, uma ilha localizada 243 km ao sul de Salvador, Aurenita Maria Oliveira Santos teve sua trajetória marcada pela adversidade e miséria.

Passou sua infância catando mariscos ao lado de sua mãe, Alda Madalena Costa, e tendo que dividir comida com seus nove irmãos, fruto de dois relacionamentos de seu pai, Eduardo Manoel de Oliveira.

Cansada da vida difícil, aos 15 anos resolveu se mudar para a capital. A falta de estudos só permitiu que ela trabalhasse como empregada doméstica, ofício que foi seu ganha-pão durante quase 15 anos.

Mas, a força de um amor deu um outro rumo para seu caminho. Depois do serviço, ela gostava de passear no parque onde funcionava a antiga rodoviária da cidade, no bairro das Sete Portas.

O encontro como jovem pedreiro, Pedro Batista Santos, aconteceu como nas mais belas cenas do cinema, onde o galã vê a mocinha e faz uma bela declaração romântica.

O casal começou com um flerte quase que diário até o início oficial do namoro. O passo para o casamento foi rápido. Em menos de um ano já estavam vivendo juntos, em uma casa no bairro de Pernambués.

Com o nascimento do primeiro filho, Ismael Oliveira Santos, Aurenita passou a assumir a função que a deixava mais feliz: a maternidade. Um ano depois, nasceu a única filha mulher do casal, Eliaci Oliveira Santos.

Logo no ano seguinte, nasceram os gêmeos Israel e Isael. Em seguida, foi a vez de oficializar o casamento, no dia 21 de junho de 1982 - com direito à véu, grinalda e ao nascimento de outra criança nove meses depois, Pedro.

A família morou em vários bairros da Avenida Suburbana até fixar moradia em Alto de Coutos, onde vive há 19 anos. Ela vendia geladinho e chegou a ter uma pequena mercearia, para ajudar a complementar a renda da família. Os seus últimos dias de vida foram com sua filha Eliaci e o marido, na casa ao lado da barbearia da família, onde trabalha o marido Pedro Batista.

140 horas de sofrimento
19/5 - Em casa, Aurenita sentiu dores no peito e teve alta de pressão. Foi levada pelo Samu para o Hospital Geral do Estado, que estava lotado. Depois, foi para o Hospital João Batista Caribé, também sem vagas. Foi transferida para o Centro de Saúde Adroaldo Abergaria (Periperi).

20/5 - A paciente fica na sala de reanimação do posto em uma maca com 40cmde largura. O local é usado para atendimentos rápidos de pacientes com parada respiratória. O quadro de saúde tem agravamentos e Aurenita é sedada pela equipe médica.

21/5 - A família da dona de casa localiza vaga no Hospital Geral Ana Nery, bairro da Caixa d’Água, mas o centro de saúde não reconhece a existência do leito. Aurenita permanece no posto aguardando transferência para uma unidade de terapia intensiva.

22/5 - Paciente continua no centro de saúde aguardando vaga para transferência. Médicos dizem que no dia seguinte irão retirar o aparelho de ventilação e manter a paciente em observação. Ela reclama de dores no corpo por causa da acomodação na maca estreita.

23/5 - Filho pede para enfermeira olhar a mãe enquanto ele vai ao banheiro. Quando retorna, encontra a mãe caída no chão. Às 9h, a equipe do centro de saúde avalia a paciente e diz que não teve danos com a queda. Às 23h, médicos do Samu fazem transferência para o HGE.

24/5 - Médicos do HGE indicam cirurgia para conter efeitos do traumatismo provocado pela queda. Alta na pressão e complicações renais impedem a realização do procedimento. O médico Hélio Paulo de Matos Jr. constata a morte por traumatismo crânio-encefálico.

Centro de Saúde de Periperi não tinha lençol para paciente
No período em que ficou internada no Centro de Saúde Adroaldo Albergaria, em Periperi, a dona de casa teve que usar a roupa de cama de sua própria casa porque a unidade não forneceu o material. “Tivemos que utilizar nossas peças do enxoval de casamento como forro da maca”, desabafou Pedro Santos, marido de Aurenita.